Ontem fui a pré-estreia do documentário Dzi Croquettes. Saí da sala de cinema perplexo por nunca ter ouvido falar do grupo, e emocionado com a forma que a diretora Tatiana Issa se coloca na história. É praticamente uma catarse. Recomendo com muita força, pois além de ser um documentário com uma linha narrativa muito bem construída, os diretores fizeram um grande resgate para a história cultural do nosso país!

O Dzi Croquettes era um grupo formado por 13 atores em meados dos anos 70. Faziam apresentações performáticas, misturando canto, dança e teatro. Era um verdadeiro show, especialmente por um detalhe que eu ainda não comentei: todos eles vestiam-se de mulheres. Abusando de purpurina e cílios postiços, eles formavam uma família, cada um com o seu personagem: a mãe, o pai, as filhas, a tia, as sobrinhas e a empregada. O modo de se vestir e as performances divertidas e com grande precisão técnica foram consideradas uma verdadeira inovação para época. Os teatros lotavam para ver o bando, que não se considerava nem homem, nem mulher, e sim gente. Mas como tudo que chamava atenção na época, eles foram censurados. Sem grandes opções, e com medo das ameaças da ditadura, compraram passagens de navio e foram embora para a Europa. Lá, após algumas dificuldades, encontraram o sucesso, transformando-se num boom, impressionando os europeus e lotando as salas de teatro. Receberam convites para entrarem na Broadway, mas recusaram, pois queriam voltar ao Brasil. A partir daí, foi o começo do fim.
O que me impressionou, realmente, foi eu nunca ter ouvido falar deles. E fiquei ainda mais abobado quando vi que muita gente não conhece! Que o Brasil é um país sem memória, todos sabemos, mas a relevância desse grupo é uma coisa que deveria ter ficado marcada para sempre. Se vocês imaginassem que surgiu desse grupo tantos termos e piadas que se falam por aí ... ficariam bobos! Vai do termo “tiete” até o “tá boa?”, passando pelo grupo “As Frenéticas”. É impressionante.
Mas como eu falei lá no início, o documentário não é só história e história. A diretora Tatiana Issa explica a sua relação com o grupo, e se coloca dentro daquilo tudo, culminando num final que achei bem emocionante. Dzi Croquettes estreia nesse final de semana! Quem é do teatro e do meio artístico, tem o dever de assistir!



1 comentários:
Esse filme vale muito a pena. Mais além... é um filme indispensável. A nossa geração precisa conhecê-los e lhes fazer a devida reverência.
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