Robert Rodriguez e Quentin Tarantino resolveram se unir e fazer o projeto "GrindHouse". Grindhouse era o nome dos cinemas norte-americanos das décadas de 60 e 70, que apresentavam duas sessões seguidas por apenas um ingresso, e geralmente eram filmes violentos, de terror e com apelo sensual. E foi exatamente isso que eles fizeram, produziram dois filmes e os apresentaram juntos. Rodriguez dirigiu Planet Terror e Tarantino fez o seu À Prova de Morte (Death Proof). Recentemente assisti À prova de Morte no cinema, no cine Belas Artes. Esse filme nunca entrou em cartaz nos cinemas brasileiros, sabe-se lá por quais motivos, mas foi realmente uma pena, porque é Tarantino na veia e diversão garantida.
Inspirado nos suspenses dos anos 70, o filme traz a história do dublê Mike, um maníaco que anda por aí perseguindo gostosonas no seu carro reforçado, à prova de morte. E o filme é basicamente isso. Isso e loooongos diálogos das vítimas entre si, com piadinhas funcionais, mas que servem para uma boa apresentação das personagens e entendermos o universo de cada uma.
A direção de arte é muito boa, e igualmente a montagem. O diretor consegue driblar o óbvio, fazendo um prólogo que dura praticamente metade da película. Isso faz com que a fita esteja sempre numa crescente, culminando com o clímax exatamente na cena final do filme. Tarantino levou tão a sério o clima dos Grindhouses, que À Prova de Morte parece um filme antigo, "dando defeito" em vários momentos, como a cena estrategicamente em preto e branco e momentos que se repetem, como se fosse problema no rolo. O elenco também merece destaque, os atores parecem muito afinados, mas o primeiro grupo de garotas praticamente é esquecido quando Rosario Dawnson e cia entram em cena. É uma energia e afinação que "Jungle Julia" e suas amigas, não chegam nem perto. Mas a verdadeira estrela é Kurt Russel, a composição de seu vilão Mike, beira a genialidade. E vê-lo chorando, é realmente de chorar... de rir. A trilha sonora também é um caso à parte.
O melhor da história fica para o final, e ao contrário do que vimos em Violência Gratuita (quem já viu sabe do que eu estou falando), Tarantino nos dá exatamente o que queremos que aconteça. Na sessão em que eu estava, deu para ver isso, deu para notar que a adrenalina vai aumentando durante o filme, tanto, que ao término do filme a galera estava que nem um bando de macacas, gritando e aplaudindo, excitados pelo o que acabaram de ver.
Para quem curte Tarantino, esse filme vai ser um orgasmo, para quem não curte vai ser só uma diversão garantida, mas não vá esperando grandes coisas, pois assim À Prova de Morte vai te surpreendendo, e no final, quem sabe, você também estará que nem uma macaca excitada.
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